POLÍTICA

Plebiscito simbólico mobiliza milhares contra mudança constitucional chavista

Fonte;estadão.com 16 de Julho de 2017 às 21:52
venezuelanos a espera da votação venezuelanos a espera da votaçãoFoto: estadao

Milhares de venezuelanos enfrentaram horas de fila neste domingo, 16, para votar contra o plano chavista de mudar a Constituição. Apesar de ser uma consulta extraoficial, sem poder legal de barrar a Constituinte convocada pelo governo para o dia 30, a forte assistência – chegaram a faltar cédulas – será usada para pressionar o presidente Nicolás Maduro. Uma opositora foi morta à bala, em um ataque de motociclistas que feriu outras três eleitoras.

A cédula do plebiscito continha três consultas. O eleitor foi questionado se é contra a formação de uma Assembleia Constituinte em duas semanas, se Maduro deve chamar eleições livres e se funcionários públicos e militares devem defender a Constituição. 

A estratégia da oposição é expor a oposição da maioria da população à tentativa de Maduro de alterar a Carta aprovada em 1999 por seu mentor, Hugo Chávez, morto em 2013. Reunidos na Mesa da Unidade Democrática (MUD), os antichavistas trabalham agora pelo boicote à iniciativa do governo. 

A oposição decidiu não apresentar candidatos na eleição que decidirá a composição da Constituinte. Já o chavismo colocou na lista nomes populares entre os governistas, como a primeira-dama Cilia Flores, a ex-chanceler Delcy Rodríguez e o deputado Diosdado Cabello, uma referência na linha-dura do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

A oposição acredita que Maduro usará a nova Carta para tirar de vez os poderes do Congresso, cuja maioria é opositora desde dezembro de 2015. O governo também deu sinais de que pretende afastar a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, chavista dissidente. 

 A alta participação no plebiscito fez com que algumas ruas de Caracas chegassem a ficar bloqueadas. “E já caiu! E já caiu, este governo já caiu”, cantavam opositores na capital, enquanto motoristas seguiam o ritmo com buzinaços. 

A votação teve um grave episódio de violência. Xiomara Scott, de 61 anos, foi morta com um tiro no abdômen perto de um centro de votação no bairro de Catia, região populosa no oeste de Caracas. Motociclistas dispararam contra ela e três mulheres em meio a centenas de eleitores em fila. Houve pânico e parte da população se refugiou em uma igreja. Com esse caso, chegaram a 96 as mortes ligadas direta ou indiretamente aos protestos contra o governo, que começaram em abril.

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