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Acusada de passar HIV, jovem de Elesbão Veloso publica exame que nega a doença

Jovem precisou mudar de cidade para recomeçar a vida
Fonte: G1 11 de Julho de 2017 às 11:59
Fonte: Fonte: G1
Perfil deAninha no Facebook Perfil deAninha no FacebookFoto: Reprodução

Perfil deAninha no FacebookMoradora de Elesbao Veloso, uma cidade de 14 mil habitantes localizada no centro do estado do Piauí, Ananinha Moura contem destacado em suas redes a imagem do exame de sangue em que prova não ter o vírus HIV. Aos 20 anos, ela ainda sofre as consequências de um bullyng virtual que começou em 2016.

Tudo começou com uma mensagem que a identificava como uma mulher que estava “passando AIDS para geral” viralizou através do Whatsapp.  O autor do diálogo montou uma conversa em que uma falsa Aninha dizia que tinha o vírus HIV e que ia passá-lo para todos. O diálogo estava acompanhado de uma foto de uma mulher de biquíni, parecida com ela.  

Como se não bastasse, a cidade em que ela estava "atuando" mudava de acordo com quem passava a mensagem à frente, o que fez com que a falsa notícia se espalhasse por todo o país. Aninha conta que soube dos boatos quando pessoas próximas a ela a questionaram sobre a mensagem. Ao saber, correu à delegacia e denunciou o crime, mas conta que até hoje não conseguiu descobrir a autoria do boato. "Não faço ideia de quem foi. Mas deve ser alguém que não queria ver meu bem porque todo mundo queria me matar", diz.

Depois do pesadelo, ela decidiu mudar de cidade, abandonar a conta original no Facebook e abrir uma outra na rede social. Antes, tomou uma atitude drástica: resolveu colocar um exame de sangue na capa de sua conta oficial para provar a todos que não tinha Aids e, portanto, não estava passando a doença a ninguém.

Perfil deAninha no FacebookPerfil deAninha no FacebookFoto: Reprodução

Após mudar para um local distante mais de 1.500 km de sua cidade natal, recomeçou a vida. Começou a namorar, se casou e teve um filho. Apesar de todas as providências tomadas, o boato marcou sua vida e ela tenta evitar que uma nova onda venha a afetá-la. "As pessoas me olham como se eu estivesse doente. Isso de maneira geral, porque foi espalhado para o Brasil todo. Até pessoas do Rio de Janeiro mandavam mensagens para mim. Aqui, até o momento, não tive problema, não."

Evangélica, com hábitos conservadores, Aninha diz que frequentava a igreja em sua cidade, mas depois do boato tinha que chegar e sair escondida do local. "Depois que aconteceu isso, não podia ir para a igreja porque o povo ficava rindo da minha cara quando eu saía. Meu pai tinha que me deixar escondida. Eu só queria ficar dentro de casa. Chorar. Só. A única coisa que eu podia fazer era isso."

Apesar de já ter tentado de tudo, a jovem diz que não sabe como dar um fim a essa novela. "Queria que tivesse solução, descobrir pelo menos a pessoa que fez isso. O delegado não teve vontade de investigar. Porque se ele realmente quisesse descobrir, ele teria feito alguma coisa. Como foi pelo WhatsApp, tinha como rastrear o celular de algumas pessoas, como muitos fazem."

O delegado Paulo Gregório nega que tenha havido má vontade, diz que foram ouvidas duas pessoas na época, mas que não foi possível descobrir a autoria do crime. "Realizar a perícia nesses casos é muito complicado."

"O caso está em aberto até hoje. Fiquei de pedir a quebra de sigilo da conta de Facebook que criou esse perfil fake de onde partiu a informação. É difícil encontrar o autor, que usa essa artimanha para se esconder e acabar maculando a imagem das pessoas."

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